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Dormir com luz no quarto foi associado a mudanças no coração e a mais doenças cardíacas, aponta estudo com mais de 11 mil pessoas

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Resposta curta

Quem dormia com mais luz no quarto foi associado a coração com formato e funcionamento um pouco piores, num estudo de coorte (observou pessoas ao longo do tempo) com mais de 11 mil britânicos. Em 8 a 10 anos, foi associado a mais infarto, derrame e insuficiência cardíaca. O estudo não prova que a luz seja o motivo.

Tipo de evidência: estudo de coorte (observacional) com mais de 11 mil participantes do UK Biobank, com ressonância do coração, e uma análise de acompanhamento com amostra maior

O que o estudo fez

Pesquisadores usaram dados do UK Biobank, um banco com informações de saúde de voluntários do Reino Unido. Mais de 11 mil participantes usaram um aparelho no pulso por 7 dias, entre 2013 e 2015. Ele mede o movimento e também a luz ao redor.

A equipe estimou quanto cada pessoa ficou exposta, durante a noite, a luz acima de 3 lux. Lux é a unidade que mede a intensidade da luz. Cerca de 3 anos depois, os participantes fizeram uma ressonância do coração, exame que mostra o tamanho das câmaras, a espessura das paredes e a força de cada batimento.

Os autores compararam quem tinha muita luz à noite com quem não tinha nenhuma. Numa segunda análise, com uma amostra bem maior, eles acompanharam por 8 a 10 anos quem teve infarto, derrame ou outras doenças do coração.

O trabalho, de Dai e colegas, saiu em 2026 no European Heart Journal. É um estudo de coorte, ou seja, observou pessoas ao longo do tempo. Ninguém foi sorteado para dormir com luz ou no escuro.

O que encontraram

Depois de ajustar por outros fatores, quem tinha muita luz à noite foi associado a um coração com paredes um pouco mais grossas e músculo um pouco mais pesado na câmara principal. A força de contração do músculo também foi um pouco menor. Os autores chamam esse padrão de hipertrofia concêntrica, um espessamento do músculo para dentro.

O movimento da parede do coração ficou menos eficiente nas três direções medidas. Mudanças parecidas apareceram na câmara direita de baixo e na câmara esquerda de cima do coração. Em todas, a associação seguiu uma linha reta: quanto mais luz, maior a diferença.

Em 8 a 10 anos de acompanhamento, quem tinha muita luz à noite foi associado a risco 29% maior de insuficiência cardíaca, quando o coração não bombeia bem. Para fibrilação atrial, um batimento irregular, o risco foi 15% maior. Para infarto foi 24%, para derrame 33% e para morte por doença do coração 26%.

Como isso funciona no corpo

O estudo não testou um mecanismo completo. O que ele mediu foi o papel do sono: os autores calcularam que o sono mais curto explicou entre 24% e 49% de parte das mudanças no coração.

Em outras palavras, a luz parece atrapalhar o descanso, e dormir menos anda junto com as alterações no coração. Boa parte da diferença, porém, ficou sem explicação nesses cálculos. Os autores falam em pistas sobre como a luz noturna pode estar ligada ao risco, não em prova.

Esse cálculo é estatístico. Ele mostra que as peças andam juntas nos dados, e não que uma move a outra.

O que o estudo não prova

O estudo não prova que a luz seja o motivo. Quem dorme com luz acesa pode ter outros hábitos e condições de vida, e o ajuste estatístico nunca remove todos os fatores.

A luz foi medida em apenas 7 dias, e a ressonância veio cerca de 3 anos depois. Uma semana pode não representar anos de sono. Os participantes são voluntários de um único país, então o resultado pode não valer igual para todo mundo.

As mudanças no coração foram pequenas e sem sinal de doença. Ninguém sabe ainda se elas voltam ao normal quando a pessoa passa a dormir no escuro.

O que fazer com isso

O dado ainda não permite prometer proteção ao coração. Mas dormir no escuro é uma mudança barata: fechar a cortina, cobrir as luzes de aparelhos e, se não der, usar máscara de olhos. Quem tem doença do coração ou dúvida sobre o sono deve conversar com o médico.

Perguntas frequentes

Dormir com a luz acesa faz mal ao coração?

O estudo encontrou associação, não prova. Quem tinha muita luz à noite teve mais alterações no coração e mais doenças cardíacas em 8 a 10 anos, mas o desenho não mostra que a luz seja o motivo.

Quanta luz à noite foi considerada alta?

O estudo mediu luz acima de 3 lux durante a noite e comparou quem tinha muita dessa luz com quem não tinha nenhuma.

O sono mais curto explica a ligação entre luz e coração?

Em parte. O sono mais curto explicou entre 24% e 49% de algumas das mudanças no coração, segundo os cálculos dos autores.

Fonte primária

Dai et al., “Nighttime light exposure and cardiac structure and function”. European Heart Journal, 2026.

DOI 10.1093/eurheartj/ehag563 · PubMed 42715935

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