Quanto o sono diminui a cada década de idade? Metanálise com 169 estudos mostra
Resposta curta
Uma metanálise de 169 estudos, com 5.273 adultos saudáveis, mostrou que o tempo total de sono caiu em média 10,1 minutos a cada década de idade, e o tempo acordado depois de dormir subiu 9,7 minutos. Sono profundo e a fase dos sonhos não mudaram de forma significativa.
Tipo de evidência: metanálise de 169 estudos, com 5.273 adultos saudáveis avaliados em laboratório
O que o estudo fez
Pesquisadores reuniram 169 estudos que mediram o sono de adultos saudáveis em laboratório, com o exame chamado polissonografia, que registra cada fase da noite. No total, foram 5.273 pessoas.
É uma metanálise, isto é, um trabalho que junta os resultados de vários estudos e calcula um valor médio. Saiu no The Lancet Respiratory Medicine, em 2019.
Os estudos incluídos precisavam usar critérios recentes de pontuação do sono e excluir pessoas com condições que afetam o sono.
O objetivo era definir o que é normal no sono de adultos saudáveis, com valores separados por idade e sexo. Até então, os valores de referência vinham de amostras pequenas, porque o exame é caro e trabalhoso.
A gente leu o resumo do trabalho. O texto completo é pago.
O que encontraram
A cada década de idade, o tempo total de sono caiu em média 10,1 minutos. O tempo acordado depois de pegar no sono subiu 9,7 minutos.
A eficiência do sono, que é a parcela do tempo na cama em que a pessoa realmente dorme, caiu 2,1%. A demora para dormir subiu 1,1 minuto, e os despertares subiram 2,1 por hora.
O sono profundo e a fase dos sonhos não mudaram de forma significativa com a idade, neste estudo.
Se somarmos 10,1 minutos por década ao longo de cinco décadas, dos 20 aos 70 anos, o resultado é de 50,5 minutos a menos. É uma estimativa nossa a partir da média do estudo, uma soma simples, e não um número medido nas pessoas.
Existe divergência na literatura. Uma metanálise de 2004 viu queda do sono profundo com a idade, e esta, com critérios de pontuação mais recentes, não encontrou mudança significativa.
Como isso funciona no corpo
O estudo mediu o sono, não testou por que ele muda. Ele descreve o que acontece, em média, e não explica o mecanismo.
O que os números mostram é um sono mais fragmentado: dura um pouco menos, tem mais tempo acordado no meio da noite e mais despertares curtos por hora.
Já a estrutura das fases da noite ficou parecida: a parcela de sono profundo e de sonhos não mudou de forma significativa. Em outras palavras, a noite fica mais picada com o passar dos anos, sem que as fases mudem de proporção.
O que o estudo não prova
Os números são médias de adultos saudáveis por faixa etária. Não dizem quanto uma pessoa específica deveria dormir nem se o sono dela está normal.
A estimativa de 50,5 minutos supõe que a perda é igual em todas as décadas. A faixa de idade exata dos estudos incluídos não foi conferida no texto completo.
O estudo também não mostra consequência para a saúde: não diz se perder esses minutos faz mal. Uma metanálise depende da qualidade dos estudos que entram nela.
As medições foram feitas em laboratório, um ambiente diferente de casa.
O que fazer com isso
Perder alguns minutos de sono por década faz parte da média de adultos saudáveis. Isso não é um defeito seu. O dado serve de referência, não de diagnóstico.
Se o seu sono piorou bem além disso por semanas, vale conversar com um médico, sem esperar a idade explicar.
Perguntas frequentes
O sono diminui com a idade?
Sim, em média. A cada década, o tempo total de sono caiu 10,1 minutos nessa metanálise de 169 estudos com 5.273 adultos saudáveis.
O sono profundo diminui com a idade?
Neste estudo, não houve mudança significativa no sono profundo. Uma metanálise de 2004 tinha visto queda, e a divergência está na literatura.
Quantos minutos de sono se perdem dos 20 aos 70 anos?
Uma soma simples da média do estudo dá 50,5 minutos, mas é uma estimativa nossa, não um valor medido.
Fonte primária
Boulos et al., “Normal polysomnography parameters in healthy adults: a systematic review and meta-analysis”. The Lancet Respiratory Medicine, 2019.
