The Welf Journal

geriatria Longevidade

Musculação e memória em idosos: o que o estudo da Unicamp mostrou

Foto ilustrativa: geriatria
Foto: Kampus Production / Pexels. Imagem ilustrativa.

Resposta curta

Um estudo da Unicamp acompanhou 44 idosos com comprometimento cognitivo leve por 24 semanas. Quem fez musculação foi melhor no teste de memória de palavras e histórias e não perdeu volume no hipocampo direito, área ligada à memória. No grupo parado, ele encolheu. A amostra é pequena e não prova proteção contra demência.

Tipo de evidência: estudo com dois grupos (treino de força contra ficar parado), 44 idosos com comprometimento cognitivo leve, 22 por grupo

O que o estudo fez

A Unicamp acompanhou 44 idosos com comprometimento cognitivo leve, 22 em cada grupo. Esse é o nome da fase em que a memória falha mais do que o esperado, mas a pessoa mantém a autonomia, e em que o risco de demência é maior. Metade dos participantes fez musculação por 24 semanas. A outra metade ficou parada.

Segundo a Agência FAPESP, o treino foi de duas vezes por semana, com carga que aumentava aos poucos. Os pesquisadores mediram a memória com testes e o cérebro com ressonância magnética. O trabalho é de Ribeiro, Teixeira e colegas, publicado em 2025 na revista GeroScience. Ele voltou à pauta agora por reportagens recentes, mas não é um estudo novo.

O que encontraram

O teste mede a memória episódica verbal, ou seja, a capacidade de lembrar palavras e histórias que acabaram de ser apresentadas. É o tipo de memória que costuma falhar primeiro no comprometimento cognitivo leve. O grupo parado não fez o programa de treino durante as 24 semanas.

Quem treinou foi melhor no teste de memória de palavras e histórias. No exame de imagem, o hipocampo direito, região do cérebro ligada à memória, não perdeu volume em quem treinou. O mesmo vale para o pré-cúneo direito, outra região do cérebro. No grupo parado, o hipocampo direito encolheu.

Além do volume, a ressonância avaliou a substância branca, os cabos que ligam uma região do cérebro à outra. A integridade dessas fibras ficou maior no grupo que treinou e menor no grupo parado.

Nem tudo foi a favor do treino. No lado esquerdo do cérebro, o volume caiu mesmo em quem treinou, incluindo o giro frontal superior esquerdo.

Como isso funciona no corpo

O hipocampo é uma região do cérebro que participa da formação de memórias, e é uma das primeiras a encolher quando a memória começa a falhar. Por isso os pesquisadores olharam para ele. A substância branca é a fiação do cérebro: quanto mais íntegra, melhor a comunicação entre as regiões.

O desenho do estudo mostra o que mudou, e não explica por quê. Os resultados sugerem uma relação entre o treino de força e a preservação de algumas regiões, mas o estudo não testou o mecanismo. Em português claro: o treino e a melhora apareceram juntos, e ainda não se sabe o caminho que liga um ao outro.

O que o estudo não prova

Com 22 pessoas por grupo, o estudo mostra um sinal, não uma confirmação. Os participantes já tinham comprometimento cognitivo leve, então o resultado não vale automaticamente para quem tem a memória normal nem para quem já tem demência.

O estudo também não prova proteção contra demência. Ele mediu memória e imagem do cérebro durante 24 semanas, não o surgimento de demência anos depois. E o volume caiu em regiões do lado esquerdo mesmo em quem treinou, o que mostra que o treino não segurou tudo.

O que fazer com isso

Idosos e familiares que querem começar musculação devem conversar com o médico e com um profissional de educação física que acompanhe, para ajustar carga, frequência e exercícios à condição de cada pessoa. Carga progressiva quer dizer que o peso sobe aos poucos, conforme o corpo se adapta, e não de uma vez.

Perguntas frequentes

Musculação protege contra demência?

Este estudo não mostra isso. Ele acompanhou 44 idosos com comprometimento cognitivo leve por 24 semanas e viu melhor desempenho em um teste de memória em quem treinou, mas não acompanhou o surgimento de demência.

Quantas vezes por semana foi o treino?

Duas vezes por semana, com carga que aumentava aos poucos, segundo a Agência FAPESP. O treino durou 24 semanas.

Fonte primária

Ribeiro IC, Teixeira CVL e colegas. GeroScience, 2025.

DOI 10.1007/s11357-024-01483-8 · PubMed 39745618

Como conferimos: leia o método. Achou erro? Veja como avisar.

Leia também

Receba o que a gente lê, sem o ruído

A newsletter do The Welf Journal está em fila de espera. Entre na lista e avisamos quando abrir.

Entrar na fila de espera Ver no Instagram