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Anabolizante e coração: o que mudou em quem parou de usar, em Oslo
Resposta curta
Em um acompanhamento de homens que treinam com peso em Oslo, os 15 que pararam de usar anabolizante viram a fração de ejeção do coração subir 6 pontos, enquanto nos 35 que continuaram ela ficou em 48%. O estudo é observacional e mostra associação, não prova de causa.
Tipo de evidência: estudo observacional de acompanhamento, com 70 usuários de anabolizante e 35 homens que treinam sem usar; mostra associação, não causa
O que o estudo fez
Pesquisadores de Oslo reexaminaram homens que treinam com peso e tinham sido avaliados pela primeira vez entre 2017 e 2019. Dos 101 usuários de anabolizante da primeira rodada, 70 voltaram para o reexame, e 35 deles seguiam usando. Havia também 35 homens que treinam sem usar, para comparação. Todos treinam com peso, e é isso que torna o grupo útil: a diferença não vem de um grupo ser sedentário e o outro, não.
As informações vieram de entrevistas, dosagens de hormônios e ecocardiograma, o ultrassom do coração. O estudo saiu em 2026 no European Heart Journal Cardiovascular Imaging, com Abdullah, Bjørnebekk, Almaas e colegas.
O que encontraram
Fração de ejeção é a porcentagem do sangue do coração que é empurrada para o corpo a cada batida. Nos 15 homens que pararam de usar anabolizante, ela subiu 6 pontos. Nos 35 que continuaram, ficou em 48%, valor que os autores chamam de função reduzida.
Quem parou também perdeu massa no músculo do coração, 21 gramas por metro quadrado de superfície do corpo, e os exames ficaram parecidos com os de quem treina sem usar. Entre os que continuaram, o relaxamento do coração entre as batidas também piorou, o que os autores chamam de função diastólica.
Entre os que continuaram, o resultado dependeu de mais um detalhe: quem tomava remédio para a pressão ganhou 5 pontos na fração de ejeção, e quem não tomava perdeu 4.
Como isso funciona no corpo
O coração é um músculo e responde ao que o corpo recebe. Nos homens que pararam, o músculo do coração ficou menor e o bombeamento melhorou, e os exames se aproximaram dos de quem treina sem usar. Isso sugere que parte das alterações do coração associadas ao uso pode responder à interrupção.
O ecocardiograma mede duas coisas diferentes: quanto o coração bombeia, que é a fração de ejeção, e quanto músculo ele tem, que é a massa. O coração de quem treina com peso costuma ficar maior, e isso, por si só, faz parte do treino. O que chamou atenção neste estudo foi o bombeamento reduzido no grupo que seguia usando.
Um estudo observacional, porém, só descreve o que aconteceu. Ele não explica o mecanismo nem mostra quanto de cada mudança vem do anabolizante e quanto vem de outras diferenças entre os homens.
O que o estudo não prova
O estudo é pequeno e observacional. Ele mostra que parar o uso foi associado a um coração que bombeia melhor, mas não prova que parar tenha sido a causa. Não houve sorteio: quem parou escolheu parar, e pode ser diferente de quem continuou em outros aspectos.
O resultado entre quem tomava remédio para a pressão vem de uma divisão em grupos menores ainda, e deve ser lido com cautela. Com poucos homens por grupo, os números podem mudar em estudos maiores.
O estudo também não é um guia de como parar. Quem usa anabolizante e quer parar deve fazer isso com acompanhamento médico.
O que fazer com isso
Para quem atende homens que treinam e usam anabolizante, o achado dá um argumento a mais na conversa sobre parar: o coração respondeu. Para quem usa, o caminho é conversar com um médico, e não parar nem ajustar por conta própria.
Perguntas frequentes
O que é fração de ejeção?
É a porcentagem do sangue do coração que é empurrada para o corpo a cada batida. Nesse estudo, os autores chamam de função reduzida o valor de 48% observado em quem continuou usando.
Parar o anabolizante melhora o coração?
No estudo, os homens que pararam tiveram aumento da fração de ejeção e menos massa no músculo do coração. Como o estudo é observacional, ele mostra associação, e não prova que parar seja a explicação da melhora.
Fonte primária
Abdullah R, Bjørnebekk A, Almaas VM e colegas. European Heart Journal Cardiovascular Imaging, 2026.
