The Welf Journal

Cada artigo parte de um estudo ou documento oficial, com a fonte primária e o tipo de evidência. Como apuramos

Pesquisa

Mulheres relatam mais dor em todos os 11 locais do corpo, mostra estudo com 6,1 milhões

Foto ilustrativa: Pesquisa
Foto: Edward Jenner / Pexels. Imagem ilustrativa.

Resposta curta

Um estudo na Nature Medicine reuniu dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas em 118 países. Mulheres relataram mais dor nos 11 locais do corpo analisados, e nos países de menor desenvolvimento a dor na velhice foi bem mais comum. É observacional: mostra quem relata dor, não o motivo.

Tipo de evidência: análise observacional de dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas em 118 países, padronizados a partir de fontes populacionais

O que o estudo fez

O estudo é de Fillingim e colegas, publicado na Nature Medicine em 2026. A dor lidera a lista de motivos de incapacidade no mundo, mas não havia uma referência comum para dizer como ela se distribui ao longo da vida e entre regiões.

Os pesquisadores juntaram dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas, em 118 países, vindos de fontes populacionais diferentes, e padronizaram as respostas para poder compará-las.

Com isso, desenharam curvas de referência: gráficos que mostram o que é típico em cada idade e em cada região. Também abriram uma plataforma pública para que outros grupos comparem seus dados com essas curvas.

Uma observação: o artigo completo é fechado. A gente leu o resumo e o comunicado da editora, e por isso não conferimos o método linha por linha.

O que encontraram

A frequência de dor foi de cerca de dois por cento, no caso da dor no rosto, a cerca de quarenta por cento, no caso da dor nas costas.

As mulheres relataram mais dor em todos os 11 locais do corpo analisados. A dor subiu mais rápido antes dos cinquenta e cinco anos.

Estimativas anteriores indicavam mais dor em países de maior desenvolvimento. O estudo encontrou o oposto: nos países de menor Índice de Desenvolvimento Humano, que combina renda, saúde e educação, a dor na velhice foi bem mais frequente do que nos de maior índice.

A dor lombar chegou perto do dobro nas idades mais avançadas dos países de menor índice.

Os autores estimam que cerca de um quinto da carga de dor está ligado a três fatores modificáveis: fumo, obesidade e baixa renda. A parcela variou bastante entre regiões, sendo menor na África subsaariana e maior no Leste Europeu.

Em resumo, a imagem global é de uma dor mais frequente em mulheres, que cresce com a idade e pesa mais onde há menos recursos.

Como isso funciona no corpo

O estudo não testou mecanismo. Ele descreve quem relata dor, em que idade e onde, mas não explica por que as mulheres relatam mais.

Nos países de menor desenvolvimento, os próprios autores dizem que os fatores por trás da dor ainda são mal conhecidos.

A plataforma aberta criada pelos autores serve justamente para o trabalho posterior: permite que outros grupos comparem seus dados e testem explicações.

O que o estudo não prova

A dor foi relatada pelas pessoas, não medida por exame. Diferenças entre mulheres e homens, ou entre países, podem refletir também jeitos diferentes de perceber e de contar a dor.

É um estudo observacional. Ele mostra padrões, não os motivos deles, e não prova que mudar fumo, peso ou renda mudaria a dor.

A parcela ligada a fatores modificáveis é uma estimativa feita por modelos, e varia entre regiões.

Os dados vêm de 118 países, mas de fontes com métodos distintos, padronizados depois. Esse trabalho ajuda a comparar, mas não elimina diferenças de pergunta e de cultura.

Como não lemos o artigo completo, não conferimos como cada grupo foi tratado.

O que fazer com isso

O dado ainda não permite recomendação individual. Dor que dura ou atrapalha o dia a dia merece conversa com um médico, seja qual for a idade.

Os autores esperam que as curvas sirvam de régua para comparar populações e orientar políticas de saúde mais justas.

Perguntas frequentes

Mulheres sentem mais dor que homens?

No estudo, as mulheres relataram mais dor nos 11 locais do corpo analisados. A dor foi relatada pelas próprias pessoas, e os autores ainda não explicam a diferença.

Qual é o tamanho do estudo?

Reuniu dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas em 118 países.

Países mais pobres têm mais dor?

Segundo o estudo, nos países de menor desenvolvimento a dor na velhice foi bem mais frequente do que nos de maior. É um dado observacional.

Fonte primária

Fillingim et al., “Global and regional reference curves for pain across the lifespan in 6.1 million individuals in 118 countries”. Nature Medicine, 2026.

DOI 10.1038/s41591-026-04696-w · PubMed 42834228

Como conferimos: leia o método. Achou erro? Veja como avisar.

Leia também

Receba o que a gente lê, sem o ruído

A newsletter do The Welf Journal está em fila de espera. Entre na lista e avisamos quando abrir.

Entrar na fila de espera Ver no Instagram