Mulheres relatam mais dor em todos os 11 locais do corpo, mostra estudo com 6,1 milhões
Resposta curta
Um estudo na Nature Medicine reuniu dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas em 118 países. Mulheres relataram mais dor nos 11 locais do corpo analisados, e nos países de menor desenvolvimento a dor na velhice foi bem mais comum. É observacional: mostra quem relata dor, não o motivo.
Tipo de evidência: análise observacional de dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas em 118 países, padronizados a partir de fontes populacionais
O que o estudo fez
O estudo é de Fillingim e colegas, publicado na Nature Medicine em 2026. A dor lidera a lista de motivos de incapacidade no mundo, mas não havia uma referência comum para dizer como ela se distribui ao longo da vida e entre regiões.
Os pesquisadores juntaram dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas, em 118 países, vindos de fontes populacionais diferentes, e padronizaram as respostas para poder compará-las.
Com isso, desenharam curvas de referência: gráficos que mostram o que é típico em cada idade e em cada região. Também abriram uma plataforma pública para que outros grupos comparem seus dados com essas curvas.
Uma observação: o artigo completo é fechado. A gente leu o resumo e o comunicado da editora, e por isso não conferimos o método linha por linha.
O que encontraram
A frequência de dor foi de cerca de dois por cento, no caso da dor no rosto, a cerca de quarenta por cento, no caso da dor nas costas.
As mulheres relataram mais dor em todos os 11 locais do corpo analisados. A dor subiu mais rápido antes dos cinquenta e cinco anos.
Estimativas anteriores indicavam mais dor em países de maior desenvolvimento. O estudo encontrou o oposto: nos países de menor Índice de Desenvolvimento Humano, que combina renda, saúde e educação, a dor na velhice foi bem mais frequente do que nos de maior índice.
A dor lombar chegou perto do dobro nas idades mais avançadas dos países de menor índice.
Os autores estimam que cerca de um quinto da carga de dor está ligado a três fatores modificáveis: fumo, obesidade e baixa renda. A parcela variou bastante entre regiões, sendo menor na África subsaariana e maior no Leste Europeu.
Em resumo, a imagem global é de uma dor mais frequente em mulheres, que cresce com a idade e pesa mais onde há menos recursos.
Como isso funciona no corpo
O estudo não testou mecanismo. Ele descreve quem relata dor, em que idade e onde, mas não explica por que as mulheres relatam mais.
Nos países de menor desenvolvimento, os próprios autores dizem que os fatores por trás da dor ainda são mal conhecidos.
A plataforma aberta criada pelos autores serve justamente para o trabalho posterior: permite que outros grupos comparem seus dados e testem explicações.
O que o estudo não prova
A dor foi relatada pelas pessoas, não medida por exame. Diferenças entre mulheres e homens, ou entre países, podem refletir também jeitos diferentes de perceber e de contar a dor.
É um estudo observacional. Ele mostra padrões, não os motivos deles, e não prova que mudar fumo, peso ou renda mudaria a dor.
A parcela ligada a fatores modificáveis é uma estimativa feita por modelos, e varia entre regiões.
Os dados vêm de 118 países, mas de fontes com métodos distintos, padronizados depois. Esse trabalho ajuda a comparar, mas não elimina diferenças de pergunta e de cultura.
Como não lemos o artigo completo, não conferimos como cada grupo foi tratado.
O que fazer com isso
O dado ainda não permite recomendação individual. Dor que dura ou atrapalha o dia a dia merece conversa com um médico, seja qual for a idade.
Os autores esperam que as curvas sirvam de régua para comparar populações e orientar políticas de saúde mais justas.
Perguntas frequentes
Mulheres sentem mais dor que homens?
No estudo, as mulheres relataram mais dor nos 11 locais do corpo analisados. A dor foi relatada pelas próprias pessoas, e os autores ainda não explicam a diferença.
Qual é o tamanho do estudo?
Reuniu dados autorrelatados de 6.125.459 pessoas em 118 países.
Países mais pobres têm mais dor?
Segundo o estudo, nos países de menor desenvolvimento a dor na velhice foi bem mais frequente do que nos de maior. É um dado observacional.
Fonte primária
Fillingim et al., “Global and regional reference curves for pain across the lifespan in 6.1 million individuals in 118 countries”. Nature Medicine, 2026.
