Preventivo nos EUA e no Brasil: quem nunca fez o exame e por quê
Resposta curta
Um estudo transversal publicado na JAMA Network Open em 2026 examinou, de 2005 a 2023, a taxa de americanas que nunca fizeram o exame preventivo. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que 6,1% das mulheres de 25 a 64 anos nunca fizeram; em 2013 eram 9,7%. As bases são diferentes.
Tipo de evidência: estudo transversal repetido, com dados autorrelatados de americanas entre 2005 e 2023, comparado com dado da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE
O que o estudo fez
O estudo principal é de Sonawane e colegas, publicado na JAMA Network Open em 2026. É um estudo transversal, que fotografa a população em vários momentos, sem acompanhar as mesmas mulheres ao longo dos anos.
Os autores examinaram a tendência da proporção de mulheres americanas que nunca fizeram o exame de rastreamento do câncer do colo do útero, de 2005 a 2023. Rastreamento é o exame feito em quem não tem sintoma, para achar o problema cedo.
Eles também olharam a incidência do câncer do colo do útero por idade e por estágio no diagnóstico, para ver se o padrão acompanha a falta de exame. Os dados vêm da pesquisa nacional de saúde dos Estados Unidos, respondida pelas próprias mulheres.
Para dar contexto brasileiro, usamos outra fonte: a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE.
O que encontraram
O resumo do estudo americano que lemos descreve o desenho e a pergunta, mas não traz os percentuais. Por isso não citamos aqui nenhum número dos Estados Unidos.
No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que 6,1% das mulheres de 25 a 64 anos nunca tinham feito o exame. Em 2013, eram 9,7%.
Entre as brasileiras que nunca fizeram, 45,1% disseram não achar o exame necessário, 14,8% não foram orientadas a fazer e 13,1% tinham vergonha.
Os três motivos têm a ver com informação e constrangimento, e não com acesso. Isso aponta para um problema de orientação, embora a pesquisa tenha outras respostas que não temos aqui.
Os dois países não podem ser comparados de forma direta. O dado brasileiro é mais antigo e cobre uma faixa de idade e um ano diferentes do estudo americano.
Como isso funciona no corpo
O estudo não testou mecanismo. Ele mede quantas mulheres nunca fizeram o exame e se a incidência do câncer do colo do útero, por idade e por estágio no diagnóstico, acompanha esse movimento.
A pergunta dos autores é justamente essa: se os casos mudam de acordo com a falta de rastreamento. O resumo descreve o desenho, e não um mecanismo comprovado.
O que o estudo não prova
Estudo transversal mostra um retrato, não uma história. Ele não acompanha as mesmas mulheres e por isso não permite afirmar que a falta de exame foi o motivo de qualquer mudança na incidência do câncer.
As respostas são autorrelatadas: a mulher diz se fez ou não o exame, e a memória ou o constrangimento podem pesar.
Custo, acesso e desinformação sobre a vacina contra o HPV são possíveis explicações citadas pelos autores, sem prova.
Os números do Brasil e dos Estados Unidos medem coisas diferentes, em anos e faixas de idade diferentes. Ler um contra o outro pode enganar.
O resumo também não informa quantas mulheres entraram em cada ano nem quanto a incidência variou, de modo que não dá para medir a força da relação.
O que fazer com isso
O preventivo é oferecido pelo SUS. Quem faz mais de três anos do último exame pode procurar uma unidade de saúde para marcar, e quem nunca fez pode seguir o mesmo caminho.
O dado ainda não permite dizer por que mulheres deixam de fazer o exame, só que algumas deixam.
Perguntas frequentes
Quantas brasileiras nunca fizeram o preventivo?
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, 6,1% das mulheres de 25 a 64 anos nunca tinham feito o exame. Em 2013, eram 9,7%.
Por que algumas mulheres nunca fazem o exame?
Entre as brasileiras que nunca fizeram, 45,1% disseram não achar necessário, 14,8% não foram orientadas e 13,1% tinham vergonha.
Dá para comparar o Brasil com os Estados Unidos?
Não de forma direta. Os dados são de anos e faixas de idade diferentes, e as respostas são autorrelatadas.
Fonte primária
Sonawane et al., “Rates of Never Receiving Cervical Cancer Screening Among US Women, 2005-2023”. JAMA Network Open, 2026.
